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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A regência variável dos verbos de movimento no português popular do interior da Bahia

Telma Souza Bispo Assis

Este projeto de mestrado, desenvolvido no âmbito do Projeto Vertentes, tem como objetivo analisar a variação na regência dos verbos de movimento na fala popular de dois municípios do interior da Bahia, a fim de estabelecer os fatores sociolingüísticos que determinam o fenômeno. O corpus de fala vernácula é constituído por 48 entrevistas realizadas nos municípios de Poções e Santo Antônio de Jesus, segundo a metodologia da Sociolingüística Variacionista. De acordo com Mollica (1996), Ribeiro (2000) e Vallo (2004), a regência variável do verbo de movimento ir não acontece de forma aleatória, o que possibilita identificar a influência dos fatores lingüísticos que motivam a escolha do falante quanto ao uso da preposição, uma vez que a gramática tradicional preconiza o uso da preposição a, ou mesmo para, em detrimento da preposição em. Ademais, serão analisados também os fatores sociais que atuam sobre esse fenômeno variável, identificando potenciais processos de mudança em progresso ou processo de variação estável nos padrões lingüísticos das comunidades estudadas.

O uso do modo imperativo no português rural do estado da Bahia

Lanuza Lima Santos

Este trabalho consiste em um estudo empírico sobre a realização do modo imperativo no português popular de dois municípios do interior do estado da Bahia: Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, e Poções, no semi-árido. Pautado nos princípios teóricos metodológicos da sociolingüística variacionista, o estudo visa sistematizar os condicionamentos sociais e estruturais do fenômeno em foco. Busca-se, ainda, verificar a relevância da hipótese da transmissão lingüística irregular na configuração do português popular do Brasil. Para tanto os resultados foram confrontados com os observados em estudo da mesma variável em comunidades rurais afro-brasileiras isoladas. A amostra em análise é constituída de 24 inquéritos das comunidades rurais de Santo Antonio e Poções. Os inquéritos se subdividem de acordo com a zona. Assim, para cada comunidade de fala, temos 12 inquéritos da sede e 12 da zona rural. Os resultados apontaram o predomínio das formas do indicativo com 70% do total de 406 ocorrências, e freqüência de 30% para a forma do subjuntivo, percentual superior ao encontrado no português afro-brasileiro. A análise dos resultados revelou a possível influência da transmissão lingüística irregular desencadeada pelo contato entre línguas na configuração desta variável.

Uma tentativa de constatação da identidade lingüística do crioulo guianense de Caiena : crioulo típico ou variedade do francês standard?

Valérie de Castro Machat

Forjado a partir do contato entre os colonizadores franceses e os escravos importados da África, o crioulo guianense representou uma saída à grande diversidade lingüística decorrente das múltiplas etnias africanas bem como à necessidade de comunicação. Tendo como língua alvo inicialmente o francês do século XVII, falado por colonos e plantadores, e como substratos as línguas maternas dos escravos negros, o crioulo guianense foi sendo desenvolvido e progressivamente enriquecido com aportes das línguas ameríndias dos povos autóctones, de outras línguas européias trazidas através das sucessivas tentativas de colonização e, a partir do final do século XIX, das inúmeras imigrações. Atualmente, identificam-se três variedades regionais do crioulo guianense: a da área do rio Maroni, no oeste, influenciado pelo crioulo francês das Pequenas Antilhas; a da área do rio Oiapoque no leste, inspirado no português; e a de Caiena, de base francesa, com o maior número de falantes na Guiana Francesa. A presente pesquisa tem como objetivo tentar descrever o crioulo guianense de Caiena e tentar definir sua identidade lingüística: crioulo típico ou variedade lingüística do francês standard?

Notícia sobre a história da diversidade cultural e lingüística na România Nova e os Crioulos na Guiana Francesa

Daniela Moraes de Jesus

As expansões marítimas das nações do Velho Continente criaram uma nova situação cultural e lingüística: as regiões colonizadas pelos países de língua românicas são denominadas como România Nova. Essas expansões iniciaram-se, na África, a partir do século XV. A América foi colonizada no final do mesmo século. A colonização francesa na Guiana iniciou-se com a vinda de alguns colonos em 1504, encontrando os povos ameríndios habitantes daquele local. Durante todo o período colonial foram enviados para a Guiana, expedições de colonos franceses na tentativa de povoar este território. Com o plantio da cana-de-açúcar, a França utilizou-se do trabalho escravo e, como conseqüência, a população escrava ultrapassou em muito a população européia. A Guiana Francesa recebeu no decorrer da sua história outras populações, tais como hindus, canadenses, brasileiros, haitianos, martinicanos, guadalupenses etc. A presença dessas culturas e línguas na Guiana Francesa proporcionou a formação do complexo quadro etnolingüístico desse Departamento francês, onde convivem os crioulos guianense, martinicano, guadalupense e haitiano (línguas maternas) com o francês (língua oficial). O objetivo dessa comunicação é retratar o multiculturalismo e o multilingüismo na Guiana Francesa e tecer considerações gerais sobre algumas semelhanças e diferenças entre os crioulos de base francesa presentes na Guiana Francesa.

Você precisa ler Isto: a coleção plenos pecados e as estratégias do mercado literário

Virgínia Paschoal dos Santos

O projeto de pesquisa desenvolvido no Mestrado tem como objetivo discutir o atual fenômeno dos lançamentos literários apoiados por estratégias de marketing, com tiragens nunca vistas antes. Essas estratégias são possíveis porque a sociedade se fragmentou em faixas de mercado, criando produtos culturais para todo tipo de consumo. O público passa a ser considerado, então, como um elemento extremamente importante, capaz de relativizar as outras esferas que participam da construção do valor literário. Hoje, com um mercado cultural consolidado, torna-se necessário analisar como a área de Letras vem se comportando frente a esse fenômeno, assim como se demanda a verificação das transformações que acontecem com as demais instâncias envolvidas - o autor e o público. O trabalho a ser apresentado tem como objetivo apresentar algumas considerações que se encaminham no sentido de responder às seguintes questões: como se reconfigura a crítica nesse cenário? Qual é a visão dos autores e o seu comportamento diante das exigências do marketing, dos sucessos e insucessos nas vendas? Para responder a essas perguntas, a pesquisa toma como ponto de partida a coleção Plenos Pecados, que constitui um marco no mercado editorial brasileiro, pela tiragem alcançada.

A construção da vida pública de intelectuais negros: Abdias Nascimento e Milton Santos

Rosemere Ferre Ira da Silva

O trabalho de pesquisa, “A construção da vida pública de intelectuais negros: Abdias Nascimento e Milton Santos”, pretende discutir as funções do intelectual na sociedade contemporânea e a representação do intelectual negro frente aos dilemas e entraves que se estabelecem diante de intervenções políticas e sociais propostas por estes mesmos intelectuais, na maioria das vezes, para criar condições de participação de afro-descendentes na dinâmica das relações, que envolvem uma compreensão do negro como sujeito de suas ações e legitimador de um processo histórico de investigações descontínuas, em relação a relevância da afro-descendência, para uma sociedade tão complexa, na sua formação étnico-racial, como a brasileira. Neste trabalho, levarei em conta o debate sobre o significado da vida pública do intelectual negro tomado como uma articulação política, formado a partir de estratégias que colocam em evidência as relações de poder no meio de atuação destes intelectuais. Embora estas trajetórias pareçam distintas muito interessa a esta pesquisa mostrar como as relações étnico-raciais movimentam uma construção de intelectualidade negra, que diferente da não-negra, está voltada para um trabalho de questionamento e ênfase a uma produção de saber e conhecimento mais esclarecedora sob o ponto de vista do exercício social/ político da cidadania na contemporaneidade.

Representações culturais em A Grande Fala do Índio Guarani

Priscylla A. Campos

Neste trabalho, que amplia o repertório de escritores estudados pelo Grupo de Pesquisa O escritor e seus múltiplos: migrações, toma-se como objeto de estudo a obra poética de Affonso Romano de Sant’Anna, A grande fala do índio Guarani, a fim de investigar como se dá o trânsito de vozes que permeiam seu texto poético: seja do intelectual frente a um regime repressor, do crítico, ensaísta, jornalista ou ainda, professor acadêmico. Partindo da própria constituição do poema, observa-se o posicionamento do intelectual Affonso Romano de Sant’Anna e como essas diferentes vozes são articuladas dentro da sua poesia. Analisando o contexto político, a abordagem histórica e genealógica do índio brasileiro e do latino americano, pode-se repensar o Brasil, seu povo, suas representações culturais. Assim, amplia-se o foco da pesquisa na obra de Affonso Romano de Sant’Anna, que oferece, em A grande fala do índio Guarani, mais uma interpretação sobre o seu país.

Brasilidades: políticas culturais na intervenção do compositor e ministro Gilberto Gil

Andréa Coutinho Cavalcante

O projeto “Etnicidades: entre a cidade letrada e a rua” tem como objeto de pesquisa as representações e reconfigurações identitárias, focalizando a articulação entre problemática étnica e reconstrução imaginária do espaço urbano da cidade do Salvador. Nesse projeto, insere-se o meu estudo das repercussões do imaginário da mestiçagem na intervenção político-cultural do músico e ministro Gilberto Passos Gil Moreira, realizado a partir de leituras sobre o artista e sua obra, sobre música popular e o tropicalismo e, ainda, da fundamentação teórica e histórico-cultural geral da investigação. A partir do mapeamento dos discursos do músico e ministro ao longo dos dois últimos anos do primeiro mandato do Governo Lula, bem como das reportagens e entrevistas concedidas durante o mesmo período, a comunicação apresentará, dando continuidade ao exame da dimensão de suas intervenções no cenário político-cultural, o resultado da última fase da pesquisa: a análise da compreensão de “cultura brasileira” que resulta da atuação de Gilberto Gil como ministro, estabelecendo comparação com medidas empreendidas pelos governos anteriores no setor da cultura.

Processos de simplificação no desvio fonológico

Ymna de Oliveira Costa Valenzuela

Este trabalho apresenta os processos de simplificação no sistema fonológico com desvio. O objetivo principal e expor a contagem da ocorrência de tais processos. O corpus é constituído por dados de fala de 4 sujeitos. Para a investigação, foi utilizado o instrumento e procedimento eliciativo e analítico do Exame Fonético-Fonológico (ERT). Os resultados focalizarão os processos mais recorrentes na fala dos indivíduos investigados.

Estrutura silábica e aquisição da leitura: algumas reflexões

Cláudia Martins Moreira

Tomando como base os dados coletados no ano de 2006, com 20 crianças de escolas públicas da cidade de Salvador, pretendo, com este trabalho, fornecer uma nova classificação dos estágios de escrita, à luz da Fonologia Aplicada (ABAURRE, 1998, 1999; CAGLIARI, 1992a, 1992b, 1998) e dos estudos de aquisição da linguagem que evidenciam o papel do molde silábico no processo aquisicional (MC NEILAGE & DAVIS, 1990; TEIXEIRA, 2003). Os resultados permitem-nos a conclusão de que o percurso da aquisição da escrita está continuamente perpassado pela oralidade, em graus e motivações variadas. Tal evidência nos permite reafirmar o caráter gradativo das aquisições, embora se observem episódios regressivos ou progressivos, reais ou aparentes, ao longo do processo de aquisição da escrita na criança.

Palatalização das consoantes oclusivas dento-alveolares em inquéritos do projeto Atlas Lingüístico do Brasil.

Milena Pereira de Souza

Este trabalho analisa um dos aspectos existentes no português brasileiro — a palatalização das oclusivas dento-alveolares /t, d/ diante da vogal alta /i/. Utilizaram-se como corpus três tipos de questionário do Projeto Atlas Lingüístico do Brasil (Projeto ALiB) — o questionário fonético-fonológico, o semântico-lexical e os temas para discursos semidirigidos. O Projeto ALiB é um projeto de extensão nacional que visa a observar e descrever a realidade lingüística do Brasil. Os questionários aplicados em cinco capitais — Salvador, Recife, Maceió, Aracaju e Teresina — tiveram como informantes homens e mulheres, com características que corresponderam à metodologia do Projeto ALiB. A análise foi condicionada a fatores lingüísticos, geolingüísticos e sociolingüísticos relevantes para o trabalho. Os resultados obtidos nos indicam o uso da variante palatal categórico em Salvador e predominante em Teresina. Nas demais capitais, as duas variantes convivem, com predominância da dental principalmente em Maceió. A variante palatal, de um modo geral, predomina na fala dos informantes de nível universitário e das mulheres mais jovens. Do ponto de vista estritamente lingüístico, destacam-se, como fatores favorecedores, o não vozeamento da consoante (mentira, capoti) e a presença de vogal palatal alta na sílaba anterior, como conjuntiviti e liquidificador.

A ditongação na fala soteropolitana: uma análise parcial

Lucinda Conceição da Hora

Este trabalho visa a analisar o fenômeno da ditongação em sílabas não travadas pelo arquifonema /S/, em falantes da cidade de Salvador, documentados para a constituição do corpus do Projeto ALiB. Os dados foram codificados pelo pacote de programas VARBRUL e analisados de acordo com os pressupostos teóricos da Sociolingüística variacionista. Foram observados 24 inquéritos, constituindo uma mostra com 7.897 ocorrências. Na análise, os dados indicaram um alto índice de ditongação nas sílabas menos complexas, principalmente quando são formadas apenas pela vogal e se encontram na posição inicial do vocábulo. Notou-se também a grande influência para a aplicação do fenômeno quando a vogal analisada apresenta a natureza nasal. Analisando os fatores e considerando as vogais analisadas separadamente de acordo com a natureza destas, os resultados não apontaram diferença em relação à seleção dos fatores lingüísticos, porém, para os ditongos formados com a vogal média anterior fechada, o fator social grau de escolaridade se mostrou relevante. Observou-se ainda que, para essas vogais, o aparecimento dos glides é bastante raro quando a consoante da sílaba adjacente apresenta o traço palatal. Ainda com esses resultados, pôde-se observar que o fato em análise não apresenta um alto grau de aplicabilidade.

El traductor Lazarillo x El Lazarillo traductor

Maria Auxiliadora de Jesus Ferreira

No ano de 1554, surgem simultaneamente três edições desta que é considerada como uma das maiores e mais importantes criações artísticas das letras espanholas: La vida de Lazarillo de Tormes y de sus fortunas y adversidades. O livro teria rapidamente se tornado muito popular, sendo reimpresso muitas outras vezes. Tamanha popularidade fez com que também fosse traduzido para outros idiomas, entre eles, o francês, o italiano e o inglês. A partir de então o vocábulo lazarillo deixaria as páginas dos livros e passaria a fazer parte dos dicionários de nomes comuns, trazendo entre outras, as seguintes acepções: pessoa que guia e conduz um cego; pessoa que guia ou acompanha outra que necessita de ajuda. Este tipo de romance inauguraria o gênero picaresco, no qual o personagem principal, o pícaro, é um sujeito à margem da sociedade, pobre, e que para sobreviver usa de várias artimanhas. Este trabalho buscará construir a associação entre os termos lazarillo e o tradutor de textos, além da diferença de sentido que adquirem, quando colocados em ordem inversa na frase. Para isso, a obra será contextualizada e a tarefa desempenhada pelo tradutor acrescida da recepção do seu trabalho pelos críticos da área será discutida.

Recursos fonoestéticos na construção de dois poemas de Arthur de Salles

Laurete Lima de Guimarães

Poeta baiano nas estéticas parnasiana, simbolista e pré-modernista, Arthur de Salles, escreveu em prosa e poesia. Possuía grande habilidade no manejo da língua como expressão do jogo rítmico das palavras. Buscava de maneira elaborada representar a variedade de sons e ritmos identificados nos mais diversos ambientes pelos quais transitava pelo Recôncavo Baiano. A procura pela palavra cuja acentuação métrica fosse adequada, pelo número de sílabas tônicas e átonas que causassem o efeito desejado, pela presença de vogais abertas ou fechadas, bem como de consoantes que produzissem o ruído esperado. Esse recurso lingüístico e poético, concomitantemente, não foi de maneira aleatória utilizada por Salles. Nosso objetivo foi identificar através do manejo apurado e harmonioso empregado pelo autor ao combinar as sílabas tônicas e átonas, vogais abertas e fechadas, rimas, aliterações, proceder à identificação dos recursos fonoestéticos aplicados para a realização da cadência rítmica presente em Sub Umbra e O Sino da Casa da Câmara. A metodologia aplicada foi, inicialmente, o estudo comparativo entre os dois poemas nitidamente simbolistas, seguido da realização de levantamento e cotejamento dos recursos lingüísticos utilizados. Como resultado, identificamos os recursos fonoestilisticos manipulados pelo autor na construção de seu discurso poético.

A cultura e a identidade no processo de revitalização do parque São Bartolomeu

Jocevaldo Lopes Santiago

O trabalho é parte integrante do projeto Memória, diversidade e gestão social, que desenvolve pesquisa e ações sócio-educacionais no subúrbio ferroviário de Salvador, no em torno do Parque São Bartolomeu. Esta área de proteção ambiental possui grande significado histórico, pois foi palco de eventos marcantes do passado: a Batalha de Pirajá; a ocupação do primeiro aldeamento indígena, além de ter sido local de abrigo de diversos quilombos. O trabalho em curso é uma pesquisa-ação nas comunidades em torno do Parque e tem como referência a memória histórica da ancestralidade dos povos indígenas e africanos, bem como a recente história dos movimentos sociais em defesa do Parque. Após levantamento bibliográfico de obras produzidas sobre o Parque São Bartolomeu, estamos mantendo contato com moradores antigos e com representantes das organizações que ali residem e atuam. Faremos oficinas de leitura e produção de cordel e rap, levando em consideração os subtemas: ancestralidade, ecossistema, tradição oral, educação e diversidade, todos relacionados à história local. Pretende-se ao final da pesquisa reafirmar a importância do Parque para a comunidade, na construção das identidades coletivas e individuais, e também a força persistente da memória histórica, conseqüência, sobretudo, da tradição oral.

A filosofia de cuidado de si X o saber de si nos séculos I e II da era cristã

Andréa Beatriz Hack


O presente trabalho constitui-se de um breve substrato do capítulo inicial de minha tese de Doutorado, intitulada “O mito cristão na Literatura”, que busca analisar as diferentes imagens de Jesus dadas pelos autores José Saramago, Fernando Sabino e Herberto Sales na ficção. As obras em questão são, respectivamente, O evangelho segundo Jesus Cristo, Com a graça de Deus e História Natural de Jesus de Nazaré: uma narrativa cristã. A partir dos estudos de Michel Foucault, esta comunicação traz uma análise comparativa entre as formas de concepção da subjetividade dentro da filosofia greco-romana nos séculos I e II da Era Cristã. A mesma pregava a importância do cuidado de si, e utilizava elaboradas tecnologias, as quais eram ensinadas por um mestre ao seu(s) discípulo(s), no contexto de uma relação bastante próxima entre eles. Com o surgimento do Cristianismo, a ênfase passou do “cuidado de si” para o “saber de si”, mediante a introdução de novas técnicas de vigilância, entre elas a confissão e o castigo. O objetivo era conter o pecado e o mal, que provocam a separação entre o indivíduo e a transcendência, o divino perfeito – Deus.

Orientadora: Prof. Dra. Evelina Hoisel
Doutorado

Reconfigurações do mito da acadianidade

Aline Cristina de Assis Campos

O presente trabalho pretende analisar as questões de contrução e afirmação da identidade coletiva acadiana no espaço canadense contemporâneo. Enquanto minoria francófona no espaço canadense de maioria anglófona, os acadianos se vêem frequentemente confrontados ao desafio do seu reconhecimento. Embora não possuam território político ou jurídico próprio, eles comprovam que um povo pode sobreviver sem necessariamente constituir um Estado. Para tanto, se dotaram de símbolos e instrumentos de promoção social que atestam a sua vitalidade. No entanto, a recordação do trágico na história acadiana, a saber, a Deportação dos Acadianos no ano de 1755, continua a ser o traço forte da acadianidade.

Edição diplomática e estudo filológico e paleográfico do Dietário das vidas e mortes dos monges do Mosteiro de São Bento da Bahia

Gérsica Alves Sanches

Edição diplomática dos scriptores 4 e 5 do Dietário do Mosteiro de São Bento da Bahia, projeto que se alicerça nos estudos filológicos e paleográficos, promoveu, por meio de critérios conservadores de edição, a transcrição diplomática do documento manuscrito, o Dietário do Mosteiro São Bento da Bahia. Almeja-se verificar características intrínsecas do documento, suas particularidades lingüísticas; a exemplo da grafia; das variações lexicais; das abreviaturas; do campo semântico; as qualidades distintivas de cada scriptor; tipo de suporte, enfim os componentes que engendram esta obra. Pretende-se, também, efetuar uma análise dos elementos extrínsecos, haja vista que não se deve dissociar um texto do seu contexto histórico-cultural, o que se faz precípuo, principalmente, nesse trabalho. Ao mesmo tempo, intenciona-se fazer uma análise do discurso religioso; do seu vocabulário, mais especificamente, do emprego de determinados adjetivos que são utilizados com a finalidade de enaltecer a figura monástica. Dessa maneira, cabe salientar a importância desse estudo no que diz respeito a sua ampla contribuição para a Lingüística Histórica, ao disponibilizar dados que permitem o acesso a um discurso lingüístico do período; e para a História, por possibilitar o contato com um discurso tão abrangente, que nesse texto revela o cotidiano da instituição religiosa, tendo um valor incomensurável por descortinar um período histórico que se inicia em 1582 e encerra-se, provavelmente, em 1815.

Estudo paleográfico dos scriptores 1, 2 e 3 do Dietário do Mosteiro de São Bento da Bahia

Anna Paula Sandes de Oliveira

A partir do projeto de edição conservadora do Dietario das vidas e mortes dos monges, q' falecerão neste Mosteiro de S. Sebastião da Bahia – livro que relata a história dos monges que viveram no Mosteiro de São Bento da Bahia desde sua fundação em 1582 até 1815, que ora se realiza no Centro de Pesquisa e Documentação do Livro Raro, da Biblioteca do Mosteiro de São Bento da Bahia, busca-se fazer uma comunicação sobre o andamento do trabalho concernente à Edição diplomática dos scriptores 1, 2 e 3 do Dietário do Mosteiro de São Bento da Bahia. Como se objetiva uma descrição conservadora, foram estabelecidos critérios para informar aos interessados o estado real do manuscrito a fim de ser o mais fiel possível ao original. O trabalho de transcrição já foi realizado, conservando-se o mesmo número de linhas por fólio bem como as alterações posteriores os comentários feitos à margem da mancha escrita pelo monge Dom Clemente Da Silva Nigra, OSB. Está em curso o levantamento e desdobramento das abreviaturas encontradas no manuscrito Pretende-se fazer ainda uma caracterização da escrita dos scriptores 1, 2 e 3 uma vez que há pelo menos cinco scriptores diferentes no documento. Assim, a edição atingirá seu objetivo de oferecer dados lingüísticos fiéis e completos aos especialistas.

Tradição filológica, novas tecnologias e os modelos de edição de textos: um estudo comparativo

Luís H. A. Gomes

A comunicação pretende abordar os modelos de edição de textos manuscritos ou impressos por meio de novas tecnologias, comparando com os estudos filológicos tradicionais no Brasil que não se valem de técnicas modernas para o desenvolvimento de edição de textos, desenvolvidos em inícios do século XX. Ainda há, em torno da comunidade acadêmica, certo preconceito em relação às edições eletrônicas de textos que, supostamente, substituiriam o trabalho do filólogo no processo de editoração de textos. Assim, o trabalho se propõe a responder a seguinte pergunta: o filólogo à moda antiga desapareceu?